Madame, Macho, Menino

Madame gere, macho garante, menino chora.

Sexta-feira, Abril 22, 2005

Próximos passos

Madame: Ele reagiu. Finalmente começou a extravasar a sua raiva.

Macho: Tal como previmos que ia acontecer. Agora só temos de esperar que se esvazie dela para podermos começar a tentar que as coisas voltem a ser como eram.

Madame: As coisas nunca vão voltar a ser como eram. Sabíamos disso quando pusemos em prática este plano.

Macho: Eu sei, mas se nos esforçarmos talvez consigamos criar algo... algo bom outra vez. Estávamos bem, antes.

Madame: Estávamos num impasse e a perder terreno. Com todo o potencial e poder à nossa disposição neste mundo virtual e ainda assim continuávamos a ser arrastados para um esquecimento, um ser-indistinto.

Macho: Ouve, eu também não queria que as coisas acontecessem assim, mas os nossos motivos são genuínos apesar do que o Menino pode pensar neste momento. Se algum dia ele perceber isso, talvez possamos ser de novo uma família, quem sabe?

Madame: Só sei que continuamos em perigo e que esta espera não pode continuar por muito mais tempo.

Macho: Perigo?

Madame: O mesmo perigo de que me avisou há algum tempo atrás. Não reparou como trocámos de posição desde a nossa última conversa? Como os nossos papéis se inverteram? Era o Macho que devia estar a convencer-me da necessidade dos nossos actos.

Macho: A perda de identidade... Os nossos papéis continuam a ser demasiado semelhantes, ainda mais agora que partilhamos este plano. Porque será que não conseguimos divergir mais?

Madame: Meu caro, não caia no erro que lhe foi apontado ainda agora.

Macho: Ok, ok, um gajo também já não pode ser inseguro de vez em quando? Pronto, é só uma questão de tempo e as coisas até estão mais ou menos encaminhadas. Se não fizermos erros estúpidos ainda vamos sair por cima.

Madame: Não me pareceu muito convicente, querido Macho. Tem de crer naquilo que diz.

Macho: Tás a querer ensinar-me as regras da nossa existência, é?

Madame: Óptimo, assim está muito melhor.